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Afastamentos por saúde mental crescem 134%: quais são os direitos do trabalhador?

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Um dado recente do Ministério Público do Trabalho (MPT) atesta a crise de saúde mental no mercado do trabalho. Os afastamentos do trabalho por transtornos mentais cresceram 134% entre 2022 e 2024. O salto impressiona: foram 201 mil licenças concedidas por saúde mental em 2022 e 472 mil em 2024. Esses números mostram que o adoecimento psicológico ligado ao ambiente profissional se tornou um problema urgente. Cada vez mais trabalhadores estão enfrentando ansiedade, depressão, burnout e outras condições que tiram a capacidade de trabalhar.

Diante desse cenário, é fundamental que o trabalhador saiba exatamente quais são seus direitos quando precisa se afastar por motivo de saúde mental. A legislação brasileira garante proteção, mas muitos desconhecem como funciona o processo ou deixam de solicitar benefícios por falta de orientação. Este texto explica, de forma simples, o que diz a lei, como solicitar o auxílio-doença, quando é possível pedir aposentadoria por invalidez e quais cuidados tomar durante o afastamento.

O que pode levar a um afastamento por saúde mental

A legislação previdenciária reconhece diversas condições que podem comprometer a capacidade laboral. Entre as mais comuns estão depressão, transtorno de ansiedade generalizada, síndrome do pânico, transtorno bipolar, burnout, estresse pós-traumático e outras doenças enquadradas no CID (Classificação Internacional de Doenças). Quando esses transtornos afetam o desempenho profissional ou impossibilitam o trabalhador de exercer suas funções, o médico pode recomendar afastamento.

O afastamento pode ocorrer tanto em casos relacionados ao ambiente de trabalho quanto em situações externas. Porém, quando a doença tem relação direta com o trabalho, como no burnout ou assédio moral, o trabalhador pode ter direitos adicionais, inclusive estabilidade ao retornar.

Quais são os direitos do trabalhador afastado por saúde mental

Se o afastamento for superior a 15 dias, o trabalhador tem direito ao benefício por incapacidade temporária, conhecido como auxílio-doença, pago pelo INSS. Os primeiros 15 dias são pagos pela empresa, e a partir do 16º dia quem assume é o INSS. Para isso, é necessária a realização de uma perícia médica, que irá avaliar se o trabalhador realmente está temporariamente incapaz.

Quando o transtorno tem nexo com o trabalho — por exemplo, burnout provocado por excesso de jornada, pressão abusiva ou assédio — o benefício passa a ser acidentário. Nesse caso, além de receber o auxílio, o trabalhador conquista estabilidade de 12 meses ao retornar, não podendo ser demitido nesse período sem justa causa.

Como solicitar o benefício do INSS

O pedido de auxílio-doença deve ser feito pelo aplicativo ou site Meu INSS. É importante reunir todos os documentos médicos, como laudos, receitas, exames, atestados e declarações do profissional de saúde. Quanto mais detalhada estiver a documentação, maiores as chances de concessão. No dia da perícia, o segurado precisa levar todos os documentos e explicar de forma clara como o transtorno mental impacta suas atividades de trabalho.

Se o benefício for negado, o trabalhador pode recorrer administrativamente ou entrar com ação judicial. Muitos casos são revertidos quando analisados pela Justiça.

Cuidados importantes durante o afastamento

Durante o afastamento, o trabalhador precisa seguir o tratamento indicado pelo médico. Além disso, é essencial manter documentação organizada: laudos, psicoterapia, psiquiatra e tudo o que comprove a continuidade da doença. Também é importante evitar atividades incompatíveis com o motivo do afastamento, pois o INSS pode cruzar dados e até cancelar o benefício se encontrar inconsistências.

Se houver relação entre o adoecimento e práticas abusivas no ambiente de trabalho, como metas impossíveis, assédio ou perseguição, o trabalhador deve registrar provas, buscar apoio do sindicato e procurar ajuda jurídica.

O papel da empresa e a importância de um ambiente saudável

A empresa é responsável por garantir um ambiente de trabalho seguro. Ignorar sinais de adoecimento, estimular jornadas excessivas ou manter práticas de gestão abusivas pode gerar responsabilização judicial. Trabalhadores que adoecem em razão do trabalho têm direito não apenas ao afastamento, mas também a estabilidade e, em alguns casos, a indenizações.

A importância de buscar orientação especializada

Com o aumento expressivo dos afastamentos por saúde mental, entender os direitos trabalhistas e previdenciários se tornou essencial. O trabalhador que passa por sofrimento psicológico não está sozinho, e a lei oferece mecanismos de proteção. Porém, cada situação tem particularidades, e muitas decisões dependem de documentação e estratégia.

Por isso, em caso de dúvidas ou se sentir que seus direitos foram desrespeitados, procure um advogado trabalhista e previdenciário especializado. A orientação correta pode garantir o acesso ao benefício e proteger o trabalhador em um momento tão delicado da vida.

Se você precisar de mais informações sobre o tema, entre em contato com um de nossos escritórios pelos links de WhatsApp ao lado.